quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Metafísica de Des Cartes - Momento 28

O Homem - Ser Intrinsecamente Racional
IV)

...
O Objecto do intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências, as formas das coisas e os princípios primeiros do ser, o ser absoluto.
A falsidade ou a possibilidade de falsidade, começa com a síntese, o juízo.
A Razão é a fonte dos primeiros princípios do conhecimento.
O pensamento é livre e universal.
Realmente, o aspecto sensível (matéria do conhecimento) e o aspecto racional (organização) não são separáveis, são distintos. A sequência não é: sinto uma coisa e, só quando acabo de sentir essa coisa, sinto a outra. A distinção entre o experimental e o racional é uma distinção mental, não é uma separação.
Para ele acima do conhecimento sensível está o conhecimento inteligível, especificamente diverso do primeiro. Aceita a distinção platónica entre sensação e pensamento, rejeita o inatismo platónico e contrapõe o intelecto como tábua rasa, sem ideias inatas.
Ao possuir as faculdades de pensar e conhecer, conhecer até o imaterial, a alma assuma a condição de espírito, mas não um espírito puro, é um espírito que anima um corpo animal, que deve ser imperecível (*).
Pelo facto de ser um espírito que anima um corpo animal as faculdades fundamentais do espírito humano são duas:
Teorética (actividade cognoscitiva e intelectiva) e analogamente a esta temos a prática (actividade operativa e activa), como o apetite e a vontade.
A actividade fundamental da alma humana é a teorética, da qual depende a prática. Cada uma destas duas pode ser sensitiva (grau sensível) ou intelectiva (grau inteligível).
Descreve a atribuição do motivo para a alma dos seres humanos como vindo de fora, e quase o identifica com Deus, pensador eterno e omnipresente. A razão percebe algo da característica essencial do pensamento absoluto.

(*)Há uma inconstância na doutrina dos poderes intelectuais da alma:
-Parece dividir o intelecto em duas faculdades: perecível e imperecível.  
-Como a alma é a forma do corpo, o intelecto concebido dessa forma deveria morrer com o corpo.
-Como o intelecto é capaz de apreender verdades necessárias e eternas, deverá em si mesmo e por afinidade, ser uma coisa independente e indestrutível.
-A capacidade para pensar é algo de divino e exterior ao corpo.

-O pensamento é o que é em virtude de poder tornar-se todas as coisas. Por outro lado, existe algo que é o que é em virtude de poder fazer todas as coisas.

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