Até aqui apercebemos
que:
Uma coisa é feita de
matéria. Cada matéria tem a sua natureza própria, é dotada de um potencial, existe
algo que a faz surgir e deslocar-se, de forma natural ou artificial, podendo ter
perdas e ganhos nas suas propriedades, até no sentido quantitativo, e todas têm
um propósito neste mundo.
Deu-nos uma noção de
movimento, tal que:
-Acto e potência relacionam-se
com o movimento;
-Um ser em potência
só pode tornar-se um ser em acto através de algum movimento.
-Movimento
(transformação, mudança, transitoriedade):
Passagem da matéria à
forma; do acto à potência e da potência ao acto; enquanto transformações que
ocorrem na coisa em si mesma, na situação de carência passagem da privação à
posse e quando do excedente é a passagem da posse à privação.
E agora dá-nos a distinção
entre os movimentos.
Distingue quatro
tipos ou espécies de movimento, sendo certo que eles surgem por via natural ou
artificial:
Lugar
As coisas mudam de
lugar, locomovem-se, em que o objecto que se locomove permanece o mesmo, e a
posição espacial é o elemento mutante.
Qualidade
As coisas alteram ou
mudam as suas propriedades ou características.
Quantidade
As coisas mudam as
quantidades dos seus elementos constituintes, aumentando-as ou diminuindo-as,
há acréscimos ou diminuições de quantidades.
Substância
A substância das
coisas é afectada, principalmente no seu início e no seu fim.
Uma mudança
substancial distingue-se claramente das outras qualidades: quantidade,
qualidade e lugar.
Resumidamente outras
noções aristotélicas sobre as quais Des Cartes se vai debruçar:
. Considera que o espaço
vazio é uma impossibilidade.
Algo que Des Cartes
não rejeita. Sumariamente através da noção de lugar: eu objecto, através de um
movimento, passo de um ponto A para um B separado do primeiro, algo vai ocupar
o A quando o abandono. Portanto, o universo é um plenum de coisas.
Não concorda com a
visão de que os elementos são compostos de figuras geométricas. Algo que Des
Cartes não despreza e preenche o conteúdo.
O espaço,
- O limite do corpo
em torno do que o rodeia. Des Cartes expande esta ideia.
Tempo
- Medida do movimento
em relação ao que é anterior e posterior.
Se não houvesse
mudança no universo não haveria tempo, já que a medição ou contagem do
movimento dependem para existirem da contagem na mente. Não havendo mente para
contar, não pode haver tempo. O espaço e o tempo são potencialmente divisíveis
ad infinitum. Algo a tratar mais à frente.
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