segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Republica de Platão, Tradução Maria Helena Pereira, 11ª Edição F.C.Gulbenkian,512 páginas

"O que é a justiça".

LI. Pórtico

Sócrates,
Trasímaco.

Nas primeiras páginas desenrola-se um diálogo informal de Sócrates com Céfalo, onde se releva a importância de ouvir os mais velhos, em busca de informação, tendo em conta que eles vão à frente no caminho da vida, e portanto, apresentam níveis de experiência mais elevados.
Para Céfalo muitos dos problemas das pessoas idosas, não resultam da velhice no seu todo, mas do carácter, sensatez e boa disposição que se fizeram evoluir ao longo da vida. Homens e mulheres dotados com essas virtudes terão uma vida menos penosa, inclusive na velhice.
A Velhice quando chega, tanto é para ricos como para pobres, eventualmente os ricos poderão a suportar melhor, mas não lhe escapam.
É na velhice que se faz o resumo da vida, e a valoração que atribuíamos aos bens já não é o mesmo. O importante é o ter a noção da valoração correcta do sentido de justiça que imprimimos à vida. Eleva-se a vida justa e santa. Admite-se que o apreço de ser dotado de riquezas para todo aquele que é comedido, prudente, que não mentiu, não ludibriou e nada ficou a dever, assim poderá morrer de consciência tranquila, apesar dos seus teres.
Os dois concordam com uma primeira definição de justiça: Dizer a verdade e restituir aquilo que se tomou de alguém. Esta primeira noção vai ser explorada no decurso do livro.
A partir desta definição inicia-se uma dialéctica, evidenciada num diálogo entre os interlocutores: Sócrates, o filósofo, e Trasímaco, o sofista. No diálogo sobressai a estratégia (comando), a taktité (pôr em ordem) e a maieutiké (arte de fazer dar à luz) de Sócrates, isto é, levar as mentes a tomar consciência daquilo que sabem implicitamente, a exprimi-lo e a julgá-lo.
Sócrates inicia o seu caminho admitindo nada saber sobre algo.
Utilizando com mestria perguntas directas e encadeadas, salpicadas ali e acolá de ironia.
Existe a intenção de passar do desconhecimento, ou desinformação, para a sabedoria, ou verdade. Desfazendo preconceitos. Destronando a retórica fortemente persuasiva, do uso correcto da linguagem, das frases feitas e bonitas. Procurando elevar a consciência daquilo que se sabe, exprimir os pensamentos e a julgá-los. Passo ante passo chega-se à sophia.
Todo este caminho é feito sem a recepção de onorários.

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