A minha intenção é centrar-me única e exclusivamente neste livro, sem mais influências, isto é, sou eu e este livro.
Glauco, cheio de curiosidade, aproxima-se de Apolodoro. Pretende inteirar-se de um banquete que ocorreu, para o qual foi convidado Sócrates, entre outros. E gostava de saber o que lá se tinha tratado.
Apolodoro prestou-se a informá-lo, sendo ele o contador do diálogo relatado no livro.
Num fim de uma tarde iniciou-se um jantar que ocorreu em casa de Agatão. Para além deste, os seus convidados eram: Fedro, Aristófanes, Pausânias, Erixímaco, Aristódeno, Agatão, Sócrates e Alcibíades. Estes eram servidos por meninos e as mulheres remeteram-se à cozinha.
O tema escolhido para o diálogo era o Amor, ele próprio, sua natureza e suas obras. Estabeleceram uma sequência de exposições, onde cada um expunha o que era do seu entendimento.
Estes homens tanto podiam nutrir amor por meninos já crescidos, como por homens adultos, ou por mulheres. Os fundamentos e virtudes do amor são procurados por eles, tomando por base a relação entre homens.
Entre as várias ideias que ficaram, uma delas é que o amor não existe sem um par mínimo: “aquele(a) que ama” e o(a) “amado(a)”. O amor é a cola que une o sujeito e o objecto desta relação comunicacional. Ele está para além do “pessoa” a “pessoa”, do “pessoa”, “coisa”; como também pode estar no par “pessoa” e “transcendência”.
Da exposição do quarto na sequência do debate, Agatão, lembrei-me de umas palavras:
“O amor trás felicidade, é em si mesmo belo e o melhor, depois é para os outros a causa de tantos bens.
Com o amor não há prisões, nem mutilações.
É delicado e reside nos delicados.
Tem constituição húmida porque se amolda com jeito.
Reside no que floresce, no que está florido e perfumado.
Não comete, nem sofre injustiças.
Não cede à força, nem à violência.
Reside no homem de bom grado, temperante e justo.
Domina prazeres e vícios.
Não se opõe à coragem, mas domina o corajoso.
É necessário à sabedoria e à criação.
Desde que se ama as belas coisas toda a espécie de bem surgiu.
Tira o sentimento de estranheza e enche-nos de familiaridade.
Incute brandura e excluía rudeza.
É pródigo do bem-querer e incapaz do malquerer.
É propício e bom.
É contemplado pelos sábios, invejado pelos desafortunados e conquistado pelos afortunados.
É diligente com o que é bom e negligente com o que é mau.
É piloto e combatente.
Ele encanta o pensamento”.
Por agora é tudo, sem grandes críticas e análises, outros desenvolvimentos estão noutra oportunidade que exista. A vontade anda à solta.
António Martins, no Porto, em 18.04.2010.
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