sábado, 31 de outubro de 2015

Metafísica de Anaximandro - MD - Momento 82

(desenho em elaboração)

Este desenho tosco mais não é do que uma tentativa de trazer para este lugar a ideia de A-Peiron de Anaximandro. Em vez da utilização das palavras, como tentativa da exposição de uma ideia, utilizo outro tipo de desenho, com o seu quê mais figurativo. Este desenho é uma representação (interpretação) física e definida de uma ideia, uma tentativa de ser a imagem de. Só que o A-Peiron de Anaximandro é o indeterminado, o infinito e o imortal, é uma proposta de conceptualização metafísica do "Princípio de Todas As Coisas". 
É uma luta reconstruir, reproduzir, a ideia de algo metafísico com essas e outras características, quer seja pelo desenho palavras, quer seja através do desenho mais elaborado e figurativo.   

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Metafísica de Anaximandro - MD - Momento 81


Olhe-se para o tempo que já passou.
É sempre difícil calcular o que se ganhou e o que se perdeu. No evoluir da vida perdem-se provas de existência, quer de vidas, quer de obras. Quantas vezes, não ficamos pelo “diz-se que”! Alguém viu, alguém disse que fulano era isto e aquilo. Só nos resta indagar através dos objectos arqueológicos e dos documentos históricos deste ou daquele em que depositamos garantias quanto à verdade de factos e acontecimentos, ficando à espera que, mais tarde ou mais cedo, surja algo que nos preencha o puzzle de alguém que se admira, seja da vida, seja do seu pensamento. E, quando se fala do seu pensamento, tem-se a intenção de ficar mais perto da sua visão das coisas e do mundo. Até lá, ficamos num estado de hibernação do consolo.
As informações acerca deste brilhante pensador e activo cidadão jónico, não atingem o nível que muitos desejariam, porque a sua razão de vida ficou com aqueles com quem a partilhou e a sua obra não resistiu ao evoluir dos tempos.
Recentemente, através de escavações arqueológicas efectuadas naquele que terá sido o antigo Mercado de Mileto, foi descoberta uma estátua mutilada e decapitada, onde se encontrava inscrito o seu nome. O que pressupõe que, os seus concidadãos, em reconhecimento pelos seus méritos políticos e culturais, a mandaram erigir em sua honra.
Portanto, não se está a falar de um homem qualquer.
Existem informações, poucas é certo, que resistiram ao tempo e chegaram até aos nossos dias, acerca da sua vida, obra e pensamento, as quais foram transmitidos por várias fontes ao longo dos séculos posteriores à sua morte.
Vários doxógrafos se pronunciaram sobre Anaximandro, desde os peripatéticos Aristóteles (séc. III a.C.) e o seu amigo de confiança e sucessor na escola Teofrasto (séc. III e II a.C.), passando por Apolodoro, -o Ateniense (séc. II a.C.), Diógenes Laércio (? séc. II d.C.), …, a Suda (enciclopédia alexandrina), até aos dias de hoje com os estudos de Kirk e Raven, entre outros.
Com isso e com probabilidades de errar procura-se reconstruir a sua vida e indagar sobre a sua visão das coisas e do mundo, ou seja, como é que ele construía a realidade circundante e a projectava para além desse âmbito. Mas, aqui temos que perguntar: as fontes e os comentadores transmitem as ideias de Anaximandro ou as deles? As fontes inspeccionam as ideias dele com as suas próprias? Cada um percepciona a realidade e projecta o mundo com o seu modo próprio.
Em resumo pode-se indicar o seguinte sobre a sua vida:
-Era um cidadão de Mileto, cidade da jónia, colónia grega na Ásia Menor, hoje Turquia.
-Filho de Praxíades.
-Terá nascido no 3º ano da 42 ª olimpíada (610/609 a.C.) e teria morrido pouco depois de completar os 64 anos no ano 546/545 a.C., ou seja, +- no 2º ano da 58 ª olimpíada. Aproximadamente, a sua vida estendeu-se de 610 a 545 a.C.
-Tales e Anaximandro teriam falecido por volta da mesma olimpíada.
-Era parente e discípulo de Tales. Homem muito estudioso e prático, foi professor na Escola Jónica e depois sucedeu a Tales na direcção e condução da mesma.
-A diferença de idade entre o dois situar-se-ia entre os 14 e os 24 anos.
-Gostava de se vestir solenemente.  
-Como outros filósofos gregos participou activamente na vida política, tendo desempenhado altos cargos na sua cidade e externamente.  

-Terá sido um grande viajante. Supostamente liderou a expedição que fundou a colónia de Apolónia no Mar Negro, uma das muitas colónias gregas criadas para desanuviar a superpopulação das outras existentes.  

sábado, 3 de outubro de 2015

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Momento Particular



Tales de Mileto

Há uma certa tristeza quando se abandona alguém.
Quase sempre o abandono deixa saudades.
Dizer "quase sempre" traduz uma falta de honestidade. O correcto é afirmar "por vezes", porque temos que entrar com os factores positivos e negativos. Em abono da verdade, os factores negativos não contribuem para a saudade, contribuem para o esquecimento. Há momentos na vida que são tão tristes que mais vale trabalhar para não mais os ter de volta.
Nestas coisas do pensamento, o que desejo é que algo fique em mim.
Esse algo pode não estar sempre presente, mas com certeza, ao de leve vai estar por aí.
Vivi com Tales algum tempo, algumas coisas passaram por aqui, outras ficaram comigo.
O que interessa?
Interessa caminhar.
Antes de encerrar este capítulo com alguns momentos, surgiu-me um pensamento.
Há conceitos que vão ter evolução à frente e que, em certa medida, nidificam em Tales de Mileto.
Termino com uma pergunta:
Que é o ponto? Ou,
Que é o número?