quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Metafísica de Anaximandro - MD - Momento 81


Olhe-se para o tempo que já passou.
É sempre difícil calcular o que se ganhou e o que se perdeu. No evoluir da vida perdem-se provas de existência, quer de vidas, quer de obras. Quantas vezes, não ficamos pelo “diz-se que”! Alguém viu, alguém disse que fulano era isto e aquilo. Só nos resta indagar através dos objectos arqueológicos e dos documentos históricos deste ou daquele em que depositamos garantias quanto à verdade de factos e acontecimentos, ficando à espera que, mais tarde ou mais cedo, surja algo que nos preencha o puzzle de alguém que se admira, seja da vida, seja do seu pensamento. E, quando se fala do seu pensamento, tem-se a intenção de ficar mais perto da sua visão das coisas e do mundo. Até lá, ficamos num estado de hibernação do consolo.
As informações acerca deste brilhante pensador e activo cidadão jónico, não atingem o nível que muitos desejariam, porque a sua razão de vida ficou com aqueles com quem a partilhou e a sua obra não resistiu ao evoluir dos tempos.
Recentemente, através de escavações arqueológicas efectuadas naquele que terá sido o antigo Mercado de Mileto, foi descoberta uma estátua mutilada e decapitada, onde se encontrava inscrito o seu nome. O que pressupõe que, os seus concidadãos, em reconhecimento pelos seus méritos políticos e culturais, a mandaram erigir em sua honra.
Portanto, não se está a falar de um homem qualquer.
Existem informações, poucas é certo, que resistiram ao tempo e chegaram até aos nossos dias, acerca da sua vida, obra e pensamento, as quais foram transmitidos por várias fontes ao longo dos séculos posteriores à sua morte.
Vários doxógrafos se pronunciaram sobre Anaximandro, desde os peripatéticos Aristóteles (séc. III a.C.) e o seu amigo de confiança e sucessor na escola Teofrasto (séc. III e II a.C.), passando por Apolodoro, -o Ateniense (séc. II a.C.), Diógenes Laércio (? séc. II d.C.), …, a Suda (enciclopédia alexandrina), até aos dias de hoje com os estudos de Kirk e Raven, entre outros.
Com isso e com probabilidades de errar procura-se reconstruir a sua vida e indagar sobre a sua visão das coisas e do mundo, ou seja, como é que ele construía a realidade circundante e a projectava para além desse âmbito. Mas, aqui temos que perguntar: as fontes e os comentadores transmitem as ideias de Anaximandro ou as deles? As fontes inspeccionam as ideias dele com as suas próprias? Cada um percepciona a realidade e projecta o mundo com o seu modo próprio.
Em resumo pode-se indicar o seguinte sobre a sua vida:
-Era um cidadão de Mileto, cidade da jónia, colónia grega na Ásia Menor, hoje Turquia.
-Filho de Praxíades.
-Terá nascido no 3º ano da 42 ª olimpíada (610/609 a.C.) e teria morrido pouco depois de completar os 64 anos no ano 546/545 a.C., ou seja, +- no 2º ano da 58 ª olimpíada. Aproximadamente, a sua vida estendeu-se de 610 a 545 a.C.
-Tales e Anaximandro teriam falecido por volta da mesma olimpíada.
-Era parente e discípulo de Tales. Homem muito estudioso e prático, foi professor na Escola Jónica e depois sucedeu a Tales na direcção e condução da mesma.
-A diferença de idade entre o dois situar-se-ia entre os 14 e os 24 anos.
-Gostava de se vestir solenemente.  
-Como outros filósofos gregos participou activamente na vida política, tendo desempenhado altos cargos na sua cidade e externamente.  

-Terá sido um grande viajante. Supostamente liderou a expedição que fundou a colónia de Apolónia no Mar Negro, uma das muitas colónias gregas criadas para desanuviar a superpopulação das outras existentes.  

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