sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Metafísica de Aristóteles - MD - Momento 14

Claro que, se está sobre o pensamento de Aristóteles, melhor dizendo sobre a Filosofia Primeira do supra génio. Está-se porque Des Cartes virá a ser um dos seus principais críticos. E dessa crítica resultará o início do que chama "A Ciência Moderna". 

Indo ao que interessa, centrado no momento anterior:
Aristóteles dá-nos a sua noção metafísica do início do mundo e posteriores transformações, mas deixa-nos num dilema, um dilema que a ciência dita moderna não consegue resolver.  
A potência em si mesma não é capaz de formalizar o ser em acto, é necessário a intervenção de um agente transformador (Causa Eficiente) guiado por uma finalidade (causa final).
O movimento de todas as coisas do mundo deve-se à existência da Substância Primeira de todas as substâncias: -imóvel, primeira fonte necessária de movimento, primeiro motor, principal propulsor, que as colocou originalmente e coloca em movimento.
Movimento/transitoriedade/mudança/transformação das coisas:
- Passagem da matéria à forma.
- Passagem da potência ao acto e do acto à potência.
- Que vai sempre da potência ao acto e da privação à posse.
- Acto de um ser em potência enquanto está em potência.

Considerando
No momento anterior ao inicio do mundo, momento em que todos não éramos, e só muitíssimo mais tarde viremos a ser algo dotado de consciência, uma Causa Eficiente decide provocar a potência em si, através de uma simultaneidade: gerar um ser e levá-lo ao acto. Tal podemos designar por Uno Original. Mas, só ficou completo depois de receber uma informação: será sempre possível passar do acto à potência e da potência ao acto, desde que possua potencial para tal. E também será certo que, sempre que houver transformações há perdas e ganhos de potencial.
Mas, muitíssimo depois, consciencializamos que as transformações da potência ao acto e do acto à potência no universo, para além de virem de um tempo anterior, no presente e para o futuro ficamos com a ideia que essas transformações parecem não ter fim, para além de constatarmos as suas diferentes complexidades.
Tal, leva-nos a novo considerando:

A Causa Eficiente forçosamente na simultaneidade referida a provocação gerou a desmultiplicação do Uno por sucessivas transformações. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Metafísica de Aristóteles - MD - Momento 13

Movimento
Se “o não ser não é” e o “ser é”, então como é possível o movimento?
Por trás de tudo na natureza há um propósito.
O “propósito de uma coisa” é realizado na plena perfeição do objecto em si, não na nossa concepção do mesmo.
O mundo está preenchido por entidades em constante mudança, movem-se de um ponto para outro, os, todas as coisas estão em movimento.
As diversas mudanças não implicam alterar por completo a entidade que se move.
Distingue a dualidade do real, sem dividir a realidade.
A substância possui a matéria – que está em constante movimento (transformação) – e a forma (é imóvel).
Matéria e forma relacionam-se com a ausência de movimento.
Acto e potência relacionam-se com o movimento, um ser em potência só pode tornar-se um ser em acto através de algum movimento.
Acontece que a passagem da potência ao acto não se dá ao acaso, ela é causada.
Teve uma visão da relação causa e efeito na natureza. Nela há diferentes tipos de causas. Se há um efeito segue-se de uma determinada causa.
“Causa”:
- Tudo aquilo que determina a realidade do ser.
- Auxilia na compreensão de um processo de transformação ou movimento.
A potência em si mesma não é capaz de formalizar o ser em acto, é necessário a intervenção de um agente transformador (Causa Eficiente) guiado por uma finalidade (causa final).
O movimento de todas as coisas do mundo deve-se à existência da Substância Primeira de todas as substâncias: -imóvel, primeira fonte necessária de movimento, primeiro motor, principal propulsor, que as colocou originalmente e coloca em movimento.
Movimento/transitoriedade/mudança/transformação das coisas:
- Passagem da matéria à forma.
- Passagem da potência ao acto e do acto à potência.
- Que vai sempre da potência ao acto e da privação à posse.
- Acto de um ser em potência enquanto está em potência.
Se as coisas mudassem completamente ao acaso, não poderíamos conhecê-las.
“Conhecer”:
- Saber a causa de algo,  
- Saber pelas causas.
Nesta conformidade, então é possível conhecer a coisa e no que ela se transformará no futuro.

Exige a si mesmo a elaboração das regras que correspondem às mudanças ou movimentos. 

Metafísica de Aristóteles - MD - Momento 12







Todas as coisas são em potência e em acto.
O álcool é inflamável, possui o potencial para se inflamar, porém temos que nos socorrer de uma faísca para que a potência se torne realidade, os, em acto.
Todas as coisas, mesmo em acto, podem ser em potência, árvore - semente em acto e árvore -mesa em potência.
Os seres imateriais são puro acto.
E o acto puro ou bem:
– Única coisa totalmente em acto.
- Nada é em potência, nem a realização de potência alguma, é sempre igual a si mesmo, não é um antecedente de coisa alguma.
Considerando algo estacionário, essa coisa tende a ser algo
Empurro-a.
Desloca-se daqui para acolá, observo uma realidade
Desloca-se mais um bocado, observo outra realidade.
Desloca-se ainda mais um bocado, observo ainda outra realidade.
Se o empurrão fosse mais intenso.
A realidade ia sucessivamente variando, até que podia não observar realidade alguma acerca da coisa. A bola de criquete desapareceu.
Tudo isto em linha recta provocando um movimento controlado.
Observador como era, não será estranho supor que não lhe escapava a mudança de realidade ocorrida com a deslocação de uma lamparina de azeite, dependurada por uma corda sisal, sempre que era trespassada por uma corrente de ar. Ou, até as mudanças de realidade ocorridas com a deslocação da água de uma ribeira. E, porque não, as mudanças ocorridas com as ondas do mar? A este cérebro pouco lhe escaparia, tal era ânsia de penetrar no interior dos peixes para ver como eram constituídos!  


Metafísica de Aristóteles - MD - Momento 11

Referiu-se anteriormente que:
1. Um ser pode ser actualmente ou apenas ser uma possibilidade.
2. As coisas têm um potencial, -capacidade intrínseca que leva a matéria constituinte a assumir uma forma.
Para entender a fusão entre a forma e a matéria, ie, como as coisas vêm a ser, distinguimos:

Potência
Coisa que tende a ser outra, capacidade de chegar a ser algo que ainda não é de facto, mas pode vir a ser, pura receptividade material.
(semente - árvore em potência)

Acto
-Concede a realidade à coisa, cumprimento, realização, perfeição, actualização e desenvolvimento das potencialidades de uma substância ou do que estava em potência.
-algo que já está, foi realizado, efectivamente é, existe, manifesta-se actualmente (árvore – semente em acto)

                  Forma







Acidente
Toda a mudança natural, transformação ocorrida na substância, traduz-se por uma passagem de uma possibilidade para uma realidade. 
A semente encerra a possibilidade de se transformar em árvore.
Houve uma seca.
- Dá-se um acontecimento que impede que a forma se transforme no que ela é em potência.
A substância manifesta-se através dos acidentes.
- Refere-se à substância e a integra, mas não necessariamente.
– Atributo circunstancial e não essencial dos seres
- Não ocorre permanentemente, só às vezes devido a qualquer casualidade.
- Pertence ao ser, mas não é necessário para a sua definição.
- Não descaracteriza o ser com a sua falta.
- Determinação secundária e cambiante do ser, só através doutro se revela.
- Leva a ser inerente ou não ao “ser”.
- Representa os vários sentidos que se podem dizer daquilo que é: qualidade, quantidade, lugar, tempo, acção, relação.