quinta-feira, 14 de abril de 2016

Metafísica de Anaximandro - MD - Momento 92

Retemos que o apeiron é a realidade primordial e final de todas as coisas e, consequentemente, contem toda a natureza do divino em si próprio.
* Matéria divina
Como está acima do vir-a-ser garante a eternidade e o curso do vir-a-ser.

Em termos de matéria, é uma matéria divina, infinita, ilimitada, indefinida, indeterminada, da qual não se tem experiência, em movimento perpéctuo, sustentada por um equilíbrio de poderes e circundante. Em relação aos seres, é a matéria primordial, geradora, potenciadora, corruptora e que acolhe os seres após a sua perda de total de vitalidade. 

Geração e Corrupção

Como é que o apeiron gera as coisas determinadas e as manifestações no plano dos fenómenos

Concebe o apeiron como fundamento de todas as coisas, uma matéria originária da qual todas as outras coisas se cindem, um todo metafísico que contém em si todos os contrários. Se assim é, o apeiron tem que ser anterior a todos os contrários, à “separação” desses contrários e a todas as determinações.
Segundo a doxografia terá afirmado que em virtude do movimento eterno, a origem das coisas a partir do apeiron é explicada através da separação ou cisão dos contrários.
No apeiron se estabelece uma luta dualista, eterna e cíclica entre os contrários. De tal modo que os contrários como que se excluem o tempo todo e se revezam no tempo, daí não se manifestarem, o que impossibilita a sua determinação. Por influência do já referido movimento eterno, os contrários são separados dele, de molde a formar um Kósmo (universo). Passam, então, a existir os contrários, enquanto pares com propriedades opostas e determinadas, em cada coisa da natureza e nas que proliferam no universo.
A manifestação dos contrários, ou seja, a possibilidade de serem notados na natureza, só o é desde que se dá a separação ou cisão dos contrários. E, é através dos contrários existentes nas coisas naturais e que proliferam no universo que o apeiron se manifesta no mundo empírico. 
A explicação para o que se verifica na natureza reside na referida luta que os contrários estabelecem entre si. Nessa luta
-A morte de um oposto é a vida de outro (ao calor do verão sucede o frio do inverno).
-Como o apeiron é ilimitado, numa mesma coisa, um dos elementos do par de opostos não pode existir, enquanto existir o seu contrário. Como se verifica existe uma ordem nesta determinação. Portanto, o apeiron limita e determina as coisas finitas.  
-Cada vez que um contrário prevalece, ie, quando se verifica o triunfo de um oposto à custa do outro, gere-se um desequilíbrio ou uma injustiça, o qual exige uma reparação no tempo através da vitória do outro oposto e assim sucessivamente. 
O tempo é o juiz, na seguinte medida:
1-Mede e julga a luta,
2-Permite que ora exista um, ora exista o seu contrário,
3-Limita a existência de cada um dos contrários, pondo fim no predomínio de um em favor de outro e vice-versa.
Torna-se claro que todas coisas existentes derivam da referida luta ou constituem-se através dela e estão sujeitas ao nascimento e ao desaparecimento, por força dos contrários que nelas existem.
A coisa assim gerada é limitada, limitada quanto ao seu tempo de existir, quanto ao lugar que ocupa no universo a que pertence e quanto ao espaço que lhe é reservado, o que permite que seja determinada.
Da transformação de cada coisa no seu contrário, isto é, da mudança entre pares de opostos da realidade, é que se pode perceber que elas estão imersas numa espécie de turbilhão infinito, ilimitado, indeterminado.
O apeiron é a Lei da Necessidade:

É por necessidade que nele se verifica, permanentemente, a geração (génese, nascimento, criação) e a corrupção (transformação, declínio, decadência, destruição) das coisas que existem. Geração e corrupção que ocorrem por ciclos desde tempos infinitos. 

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