quinta-feira, 14 de abril de 2016

Metafísica de Anaximandro - MD - Momento 91

Fonte dos contrários

- Afirmou-se que ele ao prestar atenção à natureza verificava que tudo o que nela se manifestava o fazia de forma dual. Provavelmente, ele deve ter pensado que o mundo é constituído de contrários (opostos, elementos antagónicos), que tendem a predominar uns sobre os outros.
Pelo que a doxografia nos concede, para Anaximandro o apeiron seria um todo metafísico, ao qual não se pode atribuir características ou qualidades conforme se considera relativamente às coisas existentes na natureza e que também proliferam pelo universo, sendo de notar que é sem limites. Ele contém em si todos os contrários, e manifesta-se no mundo empírico através dos contrários existentes nos elementos e nas coisas.

-Sustenta-se por um equilíbrio de poderes (forças).

A fonte e a manutenção da mobilidade
-É móvel, está em movimento permanente, nele o movimento é eterno, infinito e cíclico, ele é a origem e o garante da mobilidade universal. É uma fonte inesgotável de “energia” e movimento, o qual eternamente faz surgir e desaparecer todas as outras coisas que existem passíveis de se deslocarem e eternamente faz surgir e desaparecer infinitos mundos ou universos (kósmos) com seus fenómenos e contrários. Por influência deste movimento, os contrários são separados dele, de molde a formar um Kósmo (universo), daí se dizer que dele provêm os céus e os mundos neles contidos. Kósmo que se estrutura na unidade e na multiplicidade.
*Matéria em movimento perpéctuo
Lei ou Regra de Retribuição entre Opostos:
-Origina, envolve e dirige mundos inumeráveis. Governa cada um deles através da sua organização inicial e segundo a regra contínua de mudança: a lei da retribuição entre opostos. E, aqui será de lembrar que, por exemplo, o frio e o quente existiam juntos no apeiron, por sua iniciativa abre-se um universo, a partir do momento em que ele concede a estes opostos (e a outros) a possibilidade de vaguearem (manifestarem-se por meio do movimento) por esse novo mundo, após a sua cisão.
Eterno
-É Eterno.
O uno não surgiu nunca, é algo insurgido, não tem origem, não tem princípio, é origem de si mesmo, origem sem origem, é o autor das outras coisas. Em si mesmo não nasce, nem envelhece, é sempre jovem, existe eternamente, também não tem fim, não morre, é imperecível. Não pode ter princípio, dado que não tem fim.
Imortal
-É imortal.
A imortalidade é lhe atribuída não é só por não ter fim, como também por não ter começo.
Indestrutível
-Só o apeiron se pode considerar indestrutível, indivisível, incorruptível (não está sujeito à corrupção).
Divino
-É divino.
Como é imortal e indestrutível, então assume a condição de divino.
Anaximandro atribui ao seu princípio a imortalidade, uma das prerro­gativas que Homero e a tradição antiga atribuíam aos deuses. Os deuses nasciam num determinado momento, apenas existiam e não tinham fim, detinham o poder de sustentar e governar tudo. Mas, Anaximandro não se fica por isto, precisa que a imortalidade do princípio tem que ser tal que não admite começo, nem fim.
Em face de tal, Anaximandro derruba a base sobre a qual se erguiam as teogonias (genealogias dos deuses gregos, entendidos na mitologia grega tradicional), ou seja, propõe a destruição da crença grega nos seus deuses. Abre-se a possibilidade dos deuses não serem mais os criadores da realidade e propõe uma nova forma de pensar assente numa base mais racional, sem tantas alegorias.

A ideia da justiça equilibradora que admite uma culpa original e a consequente expiação é uma ideia central do Orfismo. Anaximandro na sua concepção dá-nos a entender que subscreve tal ideia pela infiltração notada desse tipo de concepção religiosa.  

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