Fonte dos contrários
- Afirmou-se que ele ao prestar atenção à natureza
verificava que tudo o que nela se manifestava o fazia de forma dual.
Provavelmente, ele deve ter pensado que o
mundo é constituído de contrários (opostos, elementos antagónicos), que
tendem a predominar uns sobre os outros.
Pelo que a doxografia nos concede, para
Anaximandro o apeiron seria um todo metafísico, ao qual não se pode atribuir
características ou qualidades conforme se considera relativamente às coisas
existentes na natureza e que também proliferam pelo universo, sendo de notar
que é sem limites. Ele contém em si todos os contrários, e manifesta-se no
mundo empírico através dos contrários existentes nos elementos e nas coisas.
-Sustenta-se por um equilíbrio de poderes
(forças).
A fonte e a manutenção da
mobilidade
-É móvel, está em movimento permanente, nele o
movimento é eterno, infinito e cíclico, ele é a origem e o garante da
mobilidade universal. É uma fonte inesgotável de “energia” e movimento, o qual
eternamente faz surgir e desaparecer todas as outras coisas que existem passíveis
de se deslocarem e eternamente faz surgir e desaparecer infinitos mundos ou universos
(kósmos) com seus fenómenos e contrários. Por influência deste movimento, os contrários são separados
dele, de molde a formar um Kósmo (universo), daí se dizer que dele provêm os céus
e os mundos neles contidos. Kósmo que se estrutura na unidade e na
multiplicidade.
*Matéria em movimento perpéctuo
Lei ou Regra de Retribuição
entre Opostos:
-Origina, envolve
e dirige mundos inumeráveis. Governa cada um deles através da sua organização inicial e segundo a regra
contínua de mudança: a lei da retribuição entre opostos. E, aqui será de
lembrar que, por exemplo, o frio e o quente existiam juntos no apeiron, por sua
iniciativa abre-se um universo, a partir do momento em que ele concede a estes
opostos (e a outros) a possibilidade de vaguearem (manifestarem-se por meio do
movimento) por esse novo mundo, após a sua cisão.
Eterno
-É Eterno.
O uno não surgiu nunca, é algo insurgido, não tem
origem, não tem princípio, é origem de si mesmo, origem sem origem, é o autor
das outras coisas. Em si mesmo
não nasce, nem envelhece, é sempre jovem, existe eternamente, também não tem fim, não
morre, é imperecível. Não pode ter princípio, dado que não tem fim.
Imortal
-É imortal.
A imortalidade é lhe atribuída não é só por não
ter fim, como também por não ter começo.
Indestrutível
-Só o apeiron se pode considerar indestrutível, indivisível, incorruptível (não está
sujeito à corrupção).
Divino
-É divino.
Como é imortal e indestrutível, então assume a
condição de divino.
Anaximandro
atribui
ao seu princípio a imortalidade, uma das prerrogativas que Homero e a tradição
antiga atribuíam aos deuses. Os deuses nasciam num determinado momento, apenas
existiam e não tinham fim, detinham o poder de sustentar e governar tudo. Mas, Anaximandro
não se fica por isto, precisa que a imortalidade do princípio tem que ser tal
que não admite começo, nem fim.
Em face de tal, Anaximandro derruba a base sobre a
qual se erguiam as teogonias (genealogias dos deuses gregos, entendidos na
mitologia grega tradicional), ou seja, propõe a destruição da crença grega nos
seus deuses. Abre-se a possibilidade dos deuses não serem mais os criadores da
realidade e propõe uma nova forma de pensar assente numa base mais racional,
sem tantas alegorias.
A ideia da justiça equilibradora que admite uma
culpa original e a consequente expiação é uma ideia central do Orfismo.
Anaximandro na sua concepção dá-nos a entender que subscreve tal ideia pela
infiltração notada desse tipo de concepção religiosa.
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