Aspectos Metafísicos de Tales (8)
Tales, segundo a doxografia (*) disponível exerceu a
actividade comercial, ie, foi um mercador, algo que reputo de muito importante.
Inicialmente foi um mercador fraco e com o tempo
veio a transformar-se num grande mercador. Um mercador não é um homem
solitário, por natureza, é um homem que está em permanente contacto com as
pessoas. No caso dele, certamente manteve contactos regulares com os agricultores afastados do porto de Mileto, com as
pessoas da polis propriamente dita, seja com os navegadores, que traziam as
matérias-primas que faziam falta e de volta transportavam o azeite e a lã do
interior da Jónia e não só. Com a evolução do seu negócio o mercador Tales,
muito possivelmente, se dirigiu em trabalho a outros entrepostos gregos espalhados pelas
costas do mediterrâneo (Egipto, Judeia, cidades costeiras da Lídia), sempre aberto à recolha de informação. No sentido de aumentar ainda mais a informação que dispunha, percorreu estradas até à Babilónia e à Síria.
Mas, o mercador necessita dos seus momentos de
solidão. Tales teve muita sorte, porque usufrui de uma boa varanda para o Egeu
imenso, para o interior, e dela podia enxergar o céu, dando largas às suas
conjecturas. Refiro-me ao Monte Micale no outro extremo de Mileto e que era o
seu ponto mais alto. Muito provavelmente, aí, ele usufrui da boa companhia dos
astros que se penduravam do céu na noite escura e limpa.
A astronomia até Tales era a de Homero e Hesíodo.
Basicamente, reduzia-se a uma descrição das constelações e a um amontoado de
concepções vagas sobre a estrutura do Universo.
Diógenes Laércio e Eudemo
Transmitem-nos a ideia que ele
foi o primeiro a estudar astronomia.
Diógenes,
O que lhe granjeou a admiração de Xenófanes, Heródoto, Heráclito e
Demócrito.
A sua concepção cosmológica pouco se afastava da que
predominava entre os gregos. A Grécia era tida como o centro do mundo e a Terra
não passava de um disco plano a flutuar sobre as águas. O que bastava para
explicar a posição da Grécia em relação ao mar; no entanto, não servia para
explicar a disposição dos planetas, nem para explicar a ocorrência dos
eclipses. O seu modo de enfrentar as coisas e o seu modo de raciocinar vêm a
influenciar significativamente os seus sucessores.
(*)
Opinião expressa por terceiros sobre o seu pensamento e actividade, emitida posteriormente
à sua morte.

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