quarta-feira, 3 de junho de 2015

Metafísica de Tales de Mileto - MD -Momento 59

Aspectos Metafísicos de Tales (8)
Tales, segundo a doxografia (*) disponível exerceu a actividade comercial, ie, foi um mercador, algo que reputo de muito importante. 
Inicialmente foi um mercador fraco e com o tempo veio a transformar-se num grande mercador. Um mercador não é um homem solitário, por natureza, é um homem que está em permanente contacto com as pessoas. No caso dele, certamente manteve contactos regulares com os agricultores afastados do porto de Mileto, com as pessoas da polis propriamente dita, seja com os navegadores, que traziam as matérias-primas que faziam falta e de volta transportavam o azeite e a lã do interior da Jónia e não só. Com a evolução do seu negócio o mercador Tales, muito possivelmente, se dirigiu em trabalho a outros entrepostos gregos espalhados pelas costas do mediterrâneo (Egipto, Judeia, cidades costeiras da Lídia), sempre aberto à recolha de informação. No sentido de aumentar ainda mais a informação que dispunha, percorreu estradas até à Babilónia e à Síria.
Mas, o mercador necessita dos seus momentos de solidão. Tales teve muita sorte, porque usufrui de uma boa varanda para o Egeu imenso, para o interior, e dela podia enxergar o céu, dando largas às suas conjecturas. Refiro-me ao Monte Micale no outro extremo de Mileto e que era o seu ponto mais alto. Muito provavelmente, aí, ele usufrui da boa companhia dos astros que se penduravam do céu na noite escura e limpa.  
A astronomia até Tales era a de Homero e Hesíodo. Basicamente, reduzia-se a uma descrição das constelações e a um amontoado de concepções vagas sobre a estrutura do Universo.
Diógenes Laércio e Eudemo
Transmitem-nos a ideia que ele foi o primeiro a estudar astronomia.  
Diógenes,
O que lhe granjeou a admiração de Xenófanes, Heródoto, Heráclito e Demócrito.  
A sua concepção cosmológica pouco se afastava da que predominava entre os gregos. A Grécia era tida como o centro do mundo e a Terra não passava de um disco plano a flutuar sobre as águas. O que bastava para explicar a posição da Grécia em relação ao mar; no entanto, não servia para explicar a disposição dos planetas, nem para explicar a ocorrência dos eclipses. O seu modo de enfrentar as coisas e o seu modo de raciocinar vêm a influenciar significativamente os seus sucessores.    
      
(*) Opinião expressa por terceiros sobre o seu pensamento e actividade, emitida posteriormente à sua morte. 

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