sexta-feira, 13 de março de 2015

Metafísica de Des Cartes - Momento 33

Centrado no pensamento aristotélico, o entendimento e a interpretação de um filósofo à mão, que considerei interessante colocar aqui e agora:

Amostragem em como a atenção aos aspectos quantitativos dos corpos embora não gere falsidades na matemática pura ou na matemática física, não é suficiente para o conhecimento completo do mundo físico.

Os corpos físicos contêm volumes, superfícies, linhas e pontos. Os aspectos quantitativos são propriedades dos corpos. Em pensamento eles são separáveis do movimento, o que não faz diferença, nem alguma falsidade resulta do caso de serem separados.
A matemática não se constitui na essência das coisas físicas, ie, os corpos físicos não são entidades matemáticas. Ela está nos corpos, na medida em que faz daqueles elementos o seu objecto.
O matemático:
-Não os considera como limites de um corpo físico,
-Nem os considera como atributos desses corpos.
-Separa no pensamento (abstrai) e retém só estes aspectos, distanciando-os do movimento, caracterizador dos seres naturais e de toda a matéria que os constitui.
-Pontos, linhas, figuras e volumes dos corpos são tratados como seres independentes, sem a necessidade de um ser que os sustente.
Nenhuma falsidade advém deste procedimento, este é a acção da mente sobre os corpos percebidos.

ciências físicas, é o caso da óptica, da harmónica e da astronomia, que devido às suas características físicas, utilizam a matemática como meio de explicação, embora mantendo-se ligadas aos corpos.
Estas ciências:
-Tratam os atributos matemáticos dos corpos, como pertencentes aos corpos.
-Não efectuam a abstracção total do movimento e da matéria que caracteriza a matemática pura.
-Concebem os objectos a partir dos seus aspectos quantitativos, concentrando-se nas explicações destes, referindo esses aspectos aos corpos.
-Pertencendo os aspectos aos corpos, essas ciências apresentam resultados legítimos e verdadeiros, em que o seu modo de estudo dos objectos não é puramente físico. O modo está a meio caminho entre a abstracção da matemática e a abstracção da física.

O físico encontra a forma (essência das coisas) abstraindo-a da matéria particular dos exemplares concretos directamente percebidos pelos sentidos. A forma é a causa do movimento dos seres naturais, aquilo que a coisa se deve tornar, a sua finalidade, e a sua proporcionalidade intrínseca. O físico não deve descurar do conhecimento da matéria de que a coisa é feita.

As físicas matemáticas como a óptica, a harmónica e a astronomia como que são o inverso da geometria. Esta investiga as linhas físicas não como físicas mas como matemáticas, a óptica investiga as linhas matemáticas, não como matemáticas, mas como físicas.
Os seres naturais possuem aspectos quantitativos e qualitativos. No discurso estes aspectos estão presentes porque o conceito de ciência, enquanto conhecimento das causas últimas das coisas, o exige.


Dentro deste âmbito o que procura Aquele que vai influenciar Des Cartes?

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