terça-feira, 25 de novembro de 2014

Metafísica de Aristóteles - MD - Momento 7

Qual o porquê de repisar mais para trás?
O motivo está no facto do Pensamento Aristotélico ter voado para Alexandria, andar de mão em mão com os Árabes, abraçar os Judeus e voltar a cair na Europa, ser constante da Escolástica e vir a ser rebatido por muitos, inclusive por M. René Des Cartes.  


Metafísica de Aristóteles

Tem a sua visão pessoal sobre as coisas que se distingue dos seus antecessores, nomeadamente, do seu mestre Platão. Embora, nalguns pontos se verifique a concordância, ele quer ir mais longe.
Perante o “mundo” elevamos o nosso espanto, esse deslumbramento nos impele para o entendimento e para o conhecimento que podemos arrecadar sobre ele.
Dá primazia à experiência adquirida pelos sentidos, os, à observação da realidade como meio para conhecer as coisas. Através dessa observação constata-se e reconhece-se a existência de inúmeros seres, individuais, concretos e mutáveis. Assim, o que sentimos é aceite como elemento da realidade sensível/sensorial e empírica. E, o que existe na nossa mente são reflexos dos objectos da natureza e o expoente máximo de realidade é percebermos com os sentidos.
Localiza a finalidade última das coisas nos objectos físicos, cognoscível através da dita experiência.
Concorda com a afirmação de que a razão é característica mais importante do homem, só que é totalmente vazia se ela não perceber nada, e para perceber só através dos sentidos.

Concorda com a dualidade entre dois mundos: o sensível e o inteligível. Aceita a distinção platónica entre sensação e pensamento, embora rejeite o inatismo platónico, contrapõe a concepção do intelecto como uma tábua rasa, sem ideias inatas.
- O mundo sensível é aquele em que vivemos.   
O objecto dos sentidos é o particular, o contingente, o mutável e o material.
- O mundo inteligível está acima, é diverso e oposto do mundo sensível. Não é um mundo à parte, é o conjunto dos instrumentos intelectuais necessários à inteligibilidade do mundo sensível.
O objecto do intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências, as formas, os primeiros princípios do ser e o ser absoluto.
As condições de inteligibilidade não são sensíveis, estão separadas do conteúdo imediato da experiência.

Elenca, ainda, outras objecções, nomeadamente, quanto à “Ideia ou Forma” de Platão:
-É um conceito do homem para o homem.
-Concorda que essa “Ideia ou forma” é importante, eterna e imutável.
-Não pode existir antes da experiência adquirida na vivência com tanta galinha.
-São as características da galinha e só a ela podem ser atribuídas. Rebate que as “Ideias ou Formas” estão dentro das próprias coisas, são intrínsecas aos objectos, só nos seres existem, não podem existir para além deles e devem ser estudadas em relação a eles, a realidade é deles. Logo, a “galinha em si” e a “forma galinha” são duas coisas inseparáveis, ie, a “Ideia ou Forma” não constitui uma realidade separada.
-São impotentes só por si para explicar:
.As transformações das coisas e a sua extinção definitiva.
.Não são a causa do movimento e da alteração nos objectos físicos das sensações.
.Como se chega ao conhecimento e á existência das coisas ou objectos particulares.

As características das coisas apenas nos mostram como as coisas estão, mas não definem ou determinam o que elas são. É preciso investigar as condições que fazem as coisas existirem, aquilo que determina o que elas são e como são.
Viu-se, então, na necessidade de investigar sobre “o que” as coisas são. É na obra “Metafísica” que nos convida a caminhar nesse sentido.
Para o fim a que se propõe elenca vários conceitos, alguns dos quais se interligam: substância, forma/essência, matéria, acidente, potência, acto e movimento.


Vai estabelecer como objecto do seu pensamento a forma. 

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