O motivo está no facto do Pensamento Aristotélico ter voado para Alexandria, andar de mão em mão com os Árabes, abraçar os Judeus e voltar a cair na Europa, ser constante da Escolástica e vir a ser rebatido por muitos, inclusive por M. René Des Cartes.
Metafísica de Aristóteles
Tem a sua visão pessoal
sobre as coisas que se distingue dos seus antecessores, nomeadamente, do seu
mestre Platão. Embora, nalguns pontos se verifique a concordância, ele quer ir
mais longe.
Perante
o “mundo” elevamos o nosso espanto, esse deslumbramento nos impele para
o entendimento e para o conhecimento que podemos arrecadar sobre ele.
Dá
primazia à experiência adquirida pelos sentidos, os, à observação da realidade como
meio para conhecer as coisas. Através dessa observação constata-se e reconhece-se
a existência de inúmeros seres, individuais, concretos e mutáveis. Assim, o que
sentimos é aceite como elemento da realidade sensível/sensorial e empírica. E,
o que existe na nossa mente são reflexos dos objectos da natureza e o expoente
máximo de realidade é percebermos com os sentidos.
Localiza
a finalidade última das coisas nos objectos físicos, cognoscível através da dita
experiência.
Concorda
com a afirmação de que a razão é característica mais importante do homem, só
que é totalmente vazia se ela não perceber nada, e para perceber só através dos
sentidos.
Concorda com a dualidade
entre dois mundos: o sensível e o inteligível. Aceita a distinção platónica
entre sensação e pensamento, embora rejeite o inatismo platónico, contrapõe a
concepção do intelecto como uma tábua rasa, sem ideias inatas.
- O mundo sensível é aquele
em que vivemos.
O objecto dos
sentidos é o particular, o contingente, o mutável e o material.
- O mundo inteligível
está acima, é diverso e oposto do mundo sensível. Não é um mundo à parte, é o
conjunto dos instrumentos intelectuais necessários à inteligibilidade do mundo
sensível.
O objecto do
intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências,
as formas, os primeiros princípios do ser e o ser absoluto.
As condições de
inteligibilidade não são sensíveis, estão separadas do conteúdo imediato da
experiência.
Elenca,
ainda, outras objecções, nomeadamente, quanto à “Ideia ou Forma” de Platão:
-É
um conceito do homem para o homem.
-Concorda
que essa “Ideia ou forma” é importante, eterna e imutável.
-Não
pode existir antes da experiência adquirida na vivência com tanta galinha.
-São as
características da galinha e só a ela podem ser atribuídas. Rebate que as “Ideias
ou Formas” estão dentro das próprias coisas, são intrínsecas aos objectos, só
nos seres existem, não podem existir para além deles e devem ser estudadas em
relação a eles, a realidade é deles. Logo, a “galinha em si” e a “forma
galinha” são duas coisas inseparáveis, ie, a “Ideia ou Forma” não constitui uma
realidade separada.
-São
impotentes só por si para explicar:
.As
transformações das coisas e a sua extinção definitiva.
.Não
são a causa do movimento e da alteração nos objectos físicos das sensações.
.Como
se chega ao conhecimento e á existência das coisas ou objectos particulares.
As características
das coisas apenas nos mostram como as coisas estão, mas não definem ou
determinam o que elas são. É preciso investigar as condições que fazem as
coisas existirem, aquilo que determina o que elas são e como são.
Viu-se, então, na
necessidade de investigar sobre “o que” as coisas são. É na obra “Metafísica”
que nos convida a caminhar nesse sentido.
Para
o fim a que se propõe elenca vários conceitos, alguns dos quais se interligam:
substância, forma/essência, matéria, acidente, potência, acto e movimento.
Vai
estabelecer como objecto do seu pensamento a forma.
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